Faz tempo, hein?

No outono de 1998, deixei de lado meus compromissos como repórter free-lance para me dedicar com exclusividade à revisão e últimos retoques de meu primeiro livro, o Guia para a Sobrevivência do Homem na Cozinha. Era um projetinho fofo, sem nenhuma pretensão, que nasceu para dar um fim numa espécie de ‘hot line’ telefônica que de alguma forma se difundira entre meus amigos. “Como faz mesmo aquele macarrão com atum?”, “Panela de pressão explode?”, "O que é um refogado?", “Fui no açougue pedir rosbife e me deram lagarto. Que é que eu faço?”, eram algumas das perguntas disparadas do outro lado da linha que ao mesmo tempo me divertiam e me deixavam perplexa.
Sou jornalista por vocação e formação. E cozinheira por opção e paixão. Sempre tive homens como mestres – tios, pai, amigos da família. Portanto não entendia como os garotos tinham tanta dificuldade em fazer uma lista de compras, organizar um cardápio ou mesmo executar uma simples receita. Daí o título, que não tem nada de machista, juro!
Depois me dei conta que, naquela época, o que se achava nas livrarias eram livros temáticos ou receituários para pessoas já com alguma experiência. Vendo que a maioria dos colegas não sabia sequer fritar um ovo - ou para quê servia uma frigideira – resolvi fazer uma espécie de bê-á-bá, um livro que contivesse além de receitas bem explicadinhas, dicas, glossário, compra de legumes, frutas, usos de carnes e assim por diante.
Onze anos depois, o Guia esgotou, vieram novos livros, programas de TV, cursos para todos os tipos de culinária, confrarias das mais variadas. Muita coisa mudou. Mas muita mesmo.
Em dez anos aprendi muito, há coisas que faria diferente. Mas ao invés de mexer no texto, decidi deixar como foi publicado e acrescentar comentários ao pé das receitas. Bom proveito e bom apetite!